Grupecj- Programa de Pós-Graduação em Comunicação- PPGC. UFPB

Grupo de Pesquisa sobre o Cotidiano e o Jornalismo- UFPB-Demid- Criado em março de 2002 Orientação: prof. dr. Wellington Pereira.

segunda-feira, outubro 30, 2006

Entrevista com Gay Talese- um dos criadores do Novo Jornalismo nos Estados Unidos.
Folha de S. Paulo-26/12/2005


Folha - Seu livro sobre o "New York Times" aborda amplamente a relação entre mídia e poder. Como o sr. vê a relação do jornal com o governo desde o 11 de Setembro?


Gay Talese - A cobertura da guerra e do período que a antecedeu no "Times" é tão enganosa quanto o governo de que ela trata. O incidente Judith Miller é embaraçoso por reafirmar que repórteres em Washington às vezes ficam próximos demais do poder. O "Times" e outros grandes jornais freqüentemente enamoram-se de seu acesso ao poder e, sem sentir, viram apologistas dos órgãos do governo. Os editores buscaram se dissociar do que, inadvertidamente ou preconceituosamente, Miller escreveu, tornando-se porta-voz de neoconservadores ansiosos para invadir o Iraque.



Mas ela não publicou seus artigos, só os escreveu. A culpa deve ir para o alto, inclusive para o próprio [Arthur] Sulzberger, publisher e dono do jornal. Fizeram de Miller um símbolo, mas há muitos outros que poderiam ter servido como estratégia do "Times" para sair do dilema de estar lado a lado com o governo, com a gangue de Bush. O "Times" ama o poder e tem muitas coisas que podem ser usadas pelo governo, muito mais do que gostaria de admitir.



Folha - Qual foi o maior pecado do jornal?


Talese - Há alguns meses, participei de um debate com Sulzberger e disse a ele que o jornal cometeu um erro ao permitir que seus repórteres ficassem "embutidos" nas tropas americanas na invasão do Iraque. Quando se permite que jornalistas fiquem em tanques e tenham acesso a soldados, eles viram parte da missão. Ficam próximos demais dos que estão no Iraque para defender a política de Bush. E a informação que obtêm assim é irrelevante. O problema é estratégico: o "Times" deixou de ser objetivo por estar próximo demais do governo Bush.


Folha - O sr. diz que os erros do "Times" podem ter sido fruto de preconceito. De que tipo?


Talese - Após o 11 de Setembro, o país entrou num clima de vigilância, de vingança, para usar um termo da época, de "choque e horror". A política externa americana é influenciada pelos neoconservadores, não é segredo. Muitos jornalistas tinham acesso a eles porque compartilhavam as percepções da Casa Branca de Bush, delegando a si próprio a tarefa de apoiar a guerra, embora, como jornalistas, devessem se dissociar de qualquer coisa ligada à propaganda do governo. Mas isso é difícil para jornalistas que amam o poder.



Eles gostam de ter "fontes", um termo ridículo. Estou feliz de ver que algumas das fontes estão sendo identificadas, embora ainda não na medida em que eu gostaria. Todas deveriam ser identificadas, pois informação obtida de fontes que não querem se identificar geralmente é fornecida para reforçar uma posição e minar outra. É simplesmente lixo. As pessoas não se rebelam. No jornalismo, jamais houve rebelião, no Congresso, também não.


Folha - O sr. faz parte de uma minoria: os jornalistas americanos em geral consideram sagrado o direito de não revelar suas fontes, não é?


Talese - Penso o contrário: as fontes devem ser expostas. No meu trabalho, sempre dei nome às fontes. E jamais aceitaria uma informação sob a condição de não dizer ao leitor quem é minha fonte. Alguns repórteres ficaram preguiçosos porque estão em Washington há tempos. Há repórteres demais em Washington. São como pássaros bicando a mesma informação. Comem, mastigam, cospem, engolem de novo.


Folha - O lema do "New York Times", considerado o melhor jornal do mundo, é: "All the news that's fit to print" (todas as notícias que cabem ser publicadas). Em quanto do que lê hoje no jornal o sr. crê?


Talese - Não acredito em nada do que vem de Washington. Acredito na seção de esportes, a única parte honesta, e nos resultados do futebol. Também se pode acreditar na programação da televisão e na previsão do tempo, mas nem sempre. Os jornais estão preocupados com a sua sobrevivência. E com razão, pois o produto que vendem é muito ruim. Se a família Sulzberger gerisse a GM ou a Sony, os conselhos de administração já teriam se livrado dela.


Folha - Isso é fruto de incompetência ou de uma agenda política?


Talese - O "Times" enamorou-se do poder. Os jornais sempre dizem que mantêm a publicidade separada da Redação, mas num país que tem um presidente poderosíssimo, como Bush, os publicitários acham que o que é bom para os negócios é bom para o governo e vice-versa. Há uma aliança. Quem escreve algo antipatriótico fica em desvantagem.


Folha - A caça às bruxas está de volta aos EUA?


Talese - Hoje em dia, há uma certa caça às bruxas no país sobre ser desleal. Então, o que os americanos fazem? Colam adesivos nos carros de apoio às nossas tropas. Mas a maioria dos americanos não é afetada pela guerra. Quem é afetado são jovens que não têm dinheiro para ir à faculdade. Alistam-se no Exército porque as oportunidades econômicas são miseráveis. Poucos no poder têm filhos no Exército. Ao menos no Vietnã havia filhos de gente poderosa, de senadores, de reitores de universidades. Eles estavam lá porque havia o alistamento obrigatório. Os protestos contra a guerra eram liderados por estudantes que não queriam ir para o front. Mas eles também tinham parentes com poder. Hoje quem está no Exército são os desafortunados, os devedores. Gente que se alistou na Guarda Nacional porque ganhava US$ 200 (cerca de R$ 460) por mês e precisava de um complemento no orçamento. São todos voluntários. Eu sou a favor do alistamento obrigatório.



As pessoas continuam morrendo, mas a maioria dos americanos não é afetada, pois os "grandes" estão ganhando, faturando. Não sei quanto isso vai durar, mas as pessoas não estão se rebelando. No jornalismo, jamais houve rebelião, no Congresso, também não. Hillary Clinton e os democratas jamais protestaram contra essa guerra. Eles temem ser rotulados de antiamericanos, antipatriotas.



Nossa nação se tornou vítima de sua própria propaganda. Não há dissensão. Nós nos tornamos vítimas de uma farsa, de um governo que enganou o povo e a imprensa sobre as armas de destruição em massa no Iraque e a ligação entre Saddam Hussein e a Al Qaeda. Mas os jornalistas e donos dos veículos de mídia que se importam com a verdade deveriam ter checado, não poderiam ter acreditado nas mentiras do governo Bush.


Folha - Agora eles estão bem mais desconfiados, não é?


Talese - Mas quem se importa agora? Deveriam ter checado as informações três anos atrás. Agora há todos esses mortos e feridos. Se tivesse havido alguma reportagem investigativa na época, se os jornais não tivessem permitido que a propaganda do governo fosse tão eficaz, talvez as coisas tivessem sido diferentes. O problema real é que o jornalismo fracassou. O governo mentiu e fracassou. É uma mancha para a história do jornalismo.


Folha - Há hoje nos EUA algum foco de dissensão?


Talese - Não. Não há voz que possa competir com a Casa Branca de Bush. Eles têm [a secretária de Estado] Condoleezza Rice. Ninguém grita mais alto do que essa mulher. Ninguém é melhor na televisão do que [o secretário da Defesa, Donald] Rumsfeld. Ele devora qualquer jornalista. [O vice-presidente Dick] Cheney também. Não há ninguém forte o suficiente para fazer frente a eles. Essas pessoas sabem como usar a palavra. Eles seqüestraram a palavra. Seu uso da linguagem é tão eficiente que dão a impressão de que a guerra é justificada.


Folha - Como isso funciona?


Talese - É como a grande igreja medieval, que intimidava os dirigentes seculares da Europa. Os grandes papas tinham um jeito de tornar sua mensagem tão profunda e sagaz que qualquer um que discordasse era infiel, era o demônio. Era o bem contra o mal, exatamente como temos hoje nos EUA, com mocinhos e bandidos. Isso é cômico, é como uma criança lendo história em quadrinhos: o mocinho de chapéu branco e o bandido de chapéu preto. Sua mensagem é clara e simples e por isso sempre prevalece.


Folha - O sr. diz que não há oposição hoje nos EUA. Por quê?


Talese - Temos uma Presidência imperial, que cooptou a linguagem e o conceito de patriotismo de tal maneira que uma das únicas pessoas que representam a tradição de justiça e liberdade de pensamento dos EUA, Ramsey Clark [ex-secretário de Justiça dos EUA], é vilificado por defender Saddam Hussein em seu julgamento. Não estamos dando um julgamento justo a ninguém. É uma piada.


Folha - A oposição doméstica é fraca, mas a internacional persiste. Isso não tem influência?


Talese - Essa oposição também foi minimizada, silenciada, trivializada. Como disse Rumsfeld, é a "velha Europa". O único país que faz frente aos EUA é a China, que também começa a ser vilificada.


Folha - Por que a qualidade da imprensa caiu nos EUA?


Talese - Os jornalistas hoje têm muito mais estudo. Sua educação é melhor, freqüentam as melhores faculdades. Isso os fez ficar mais parecidos com as pessoas que estão no poder. Quando eu era jovem, era diferente. Todas as pessoas com as quais eu trabalhei quando comecei no "New York Times" eram das camadas mais baixas. Não vínhamos das escolas de elite, éramos "outsiders", víamos o mundo com ceticismo.


Folha - O sr. ainda se considera um "outsider"?


Talese - Sim. Eu jamais seria um "embutido".

quinta-feira, outubro 26, 2006




O cotidiano






“O cotidiano. Não é apenas monotonia, futilidade, repetição, mediocridade; é também beleza; por exemplo, o sortilégio das atmosferas; cada um conhece a partir de própria vida: uma música que ouvimos docemente vinda do apartamento vizinho; o vento que faz sacudir uma janela; a voz monótona de um professor que uma aluna, em pleno devaneio amoroso, ouve se escutar; essas circunstâncias fúteis imprimem uma marca de inimitável singularidade a um acontecimento íntimo que desse modo se torna marcante e inesquecível".

( Milan Kundera - A cortina. São Paulo: Companhia das Letras, p. 26,2006.).

terça-feira, outubro 17, 2006

Cronicamente viável- Brasília











Crônica e Jornalismo
Dando seqüência ao programa Cronicamente Viável, do CCBB, o jornalista e escritor

Nirlando Beirão e o professor, jornalista e escritor Wellington Pereira fizeram, a partir da crônica,uma análise da imprensa no Brasil.

No dia 03 de outubro, às 19h30, o programa Cronicamente Viável, do Centro Cultutral Banco do Brasil, recebeu o jornalista e escritor Nirlando Beirão e o escritor, jornalista e professor Wellington Pereira para discutir o tema Crônica e Jornalismo: Uma Reflexão sobre a Imprensa no Brasil. A mediadora do debate foi a escritora, jornalista e editora do cadeno de Cultura do Correio Braziliense Clara Arreguy.

Entre os temas discutidos durante o encontro:a autonomia estética da crônica no jornalismo; a crônica machadiana e a crônica drummondiana; crônica e oornalismo literário; o new jornalism e a imprensa hoje.

Os palestrantes:

Wellington Pereira é doutor em Sociologia pela Sorbone, jornalista, escritor e professor do curso de jornalismo da Universidade Federal da Paraíba, onde coordena o Grupo de Pesquisa sobre o Cotidiano do Jornalismo. É autor do livro Crônica: A Arte do Útil e do Fútil -- Ensaio sobre a Crônica no Jornalismo Impresso, da Editora Calandra, de Salvador.

Nirlando Beirão é jornalista e escritor. Foi editor de Veja; editor de Cultura e correspondente da IstoÉ, em Nova York. Trabalhou também nas redações de O Estado de S. Paulo, revistas Senhor, Playboy e Caras. Atualmente é editor da coluna Estilo, da revista semanal Carta Capital. Entre seus livros está Corinthians: É Preto no Branco, escrito em parceria com o publicitário Washington Olivetto.

sábado, outubro 14, 2006











Grupo de estudos da UFPB lança livro sobre Jornalismo Cultural
Quarta, 11 de Outubro de 2006 15h54


“Epistemologias do Caderno B” é o título do livro que será lançado nesta quarta-feira, dia 11, às 19h30, no Parayba Café. Trata-se de uma coletânea de ensaios dos integrantes do Grupo de Pesquisa sobre o Cotidiano e o Jornalismo (Grupecj) do Departamento de Comunicação e Turismo (DecomTur) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), sob a organização do professor Wellington Pereira.


O livro reúne uma análise das relações entre os gêneros jornalísticos e a produção cultural difundida nos Cadernos B – cadernos que abordam assuntos culturais – dos jornais impressos de João Pessoa.


Segundo o organizador “este livro se configura como uma epistemologia - ou teoria do conhecimento - da produção de gêneros no jornalismo cultural, demonstrando como estas narrativas buscam representar os paradigmas culturais da pós-modernidade”.


Este é o terceiro livro do grupo, que, a partir de uma coletânea de ensaios, procura incentivar e promover o debate em torno da construção das formas narrativas no Jornalismo Cultural.


Com este trabalho o Grupecj pretende mostrar a tradição da pesquisa em Jornalismo no Brasil e prestar uma homenagem aos seus precursores: Luiz Beltrão e José Marques de Melo. Criado pelo professor do curso de Jornalismo, Welington Pereira, o Grupecj vem desenvolvendo pesquisas sobre o cotidiano e o jornalismo, desde março de 2002.


As informações são da Assessoria de Imprensa da UFPB.

artigodeluciovilar sobre o Grupecj









Lúcio Vilar
Epistemologias do Caderno B

Como sabemos, a produção acadêmica de um professor universitário não se mede pelo volume de sua carga horária em sala de aula. A valorização do docente passa, cada vez mais, e necessariamente, pela sua capacidade de articulação entre pesquisa e extensão, sendo esta a particularidade do colega Wellintton Pereira (prof. dr. do Decom-UFPB), que organizou a coletânea de textos sobre jornalismo cultural, cujo título tomei emprestado para nomear a coluna desta quarta-feira.

O livro (Ed. Manufatura, 179 páginas), será lançado hoje, às 20h00, no Parayba Café, com apresentação das professoras doutoras Olga Tavares e Sandra Moura. Trata-se de uma produção do Grupecj - Grupo de Pesquisa sobre o Cotidiano e o Jornalismo - e reúne artigos de Ana Carolina Porto, Daniel Abaht, Isabella Araújo, Maria Carolina Costa Madeira,, Suéllen Rodrigues Ramos da Silva, Viviane Marques, Rossana Gaia (professora doutora do CEFET-AL), Norma Maria Macedo (professora substituta do Decom) e Adriana Crisanto (repórter de Cultura de "O Norte").

Na orelha da obra, está revelado o foco da investigação através dos textos publicados: as impressões dos alunos-pesquisadores do Grupecj sobre os gêneros jornalísticos nos Cadernos B da imprensa pessoense, além de homenagem aos pioneiros das pesquisas em comunicação no Brasil: Luiz Beltrão e Marques de Melo.

Logo, trata-se de leitura obrigatória para coleguinhas do batente, especialmente para quem se debruça cotidianamente sobre o chamado jornalismo cultural, sejam editores e repórteres. E razões para isso é o que não faltam.

As práticas jornalísticas de nossos quatro diários são postas em debate, em cruzamento metológico inspirado na Sociologia Compreensiva e da Fenomenologia aplicadas ao segmento para checar que gêneros narrativos predominam, cotidianamente, nos "cadernos B" da Paraíba.

É fato que as muitas atribuições do dia-a-dia nas redações impedem e/ou desestimulam a busca pela reciclagem, quando não inibe o próprio exercício da leitura, tal é o volume de trabalho (pautas diárias, especiais, assessorias, etc.). O risco é de, ao não confrontar as práticas cotidianas com reflexões sobre o próprio trabalho executado, se cair num automatismo estéril e alienante, onde se perde parâmetros mínimos de avaliação da qualidade do jornalismo produzido.

Eis uma boa pedida para fugir desse risco e pensar um pouco mais no que cada um vem fazendo em seus respectivos cadernos, inclusive este colunista, que também foi alvo das investigações empreendidas. Sem falar no estímulo que é, para todos nós, encararmos artigos de alunos de graduação, bem escritos, provocativos e balizados por rigor metodológico devidamente fundamentado, sem necessariamente serem chatos ou enfadonhos.

noticiassobre ogrupecj








Grupo de estudos da UFPB lança livro sobre Jornalismo Cultural
10/10/2006 às 18:10


"Epistemologias do Caderno B" é o título do livro que será lançado nesta quarta-feira, 11, às 19h30, no Parayba Café.

Trata-se de uma coletânea de ensaios dos integrantes do Grupo de Pesquisa sobre o Cotidiano e o Jornalismo (Grupecj) do Departamento de Comunicação e Turismo (DecomTur) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), sob a organização do professor Wellington Pereira.

O livro reúne uma análise das relações entre os gêneros jornalísticos e a produção cultural difundida nos Cadernos B – cadernos que abordam assuntos culturais – dos jornais impressos de João Pessoa.

Segundo o organizador “este livro se configura como uma epistemologia - ou teoria do conhecimento - da produção de gêneros no jornalismo cultural, demonstrando como estas narrativas buscam representar os paradigmas culturais da pós-modernidade”.

Este é o terceiro livro do grupo, que, a partir de uma coletânea de ensaios, procura incentivar e promover o debate em torno da construção das formas narrativas no Jornalismo Cultural.

Com este trabalho o Grupecj pretende mostrar a tradição da pesquisa em Jornalismo no Brasil e prestar uma homenagem aos seus precursores: Luiz Beltrão e José Marques de Melo.

Criado pelo professor do curso de Jornalismo, Welington Pereira, o Grupecj vem desenvolvendo pesquisas sobre o cotidiano e o jornalismo, desde março de 2002.
(Portal Paraíba Notícias)

noticiassobre o grupe



Notícias sobre o Grupec.




Livro analisa a cultura nos jornais pessoenses


JUNELDO MORAES
O livro Epistemologias do Caderno B (Manufatura, 179 páginas, R$ 20), organizado por Wellington Pereira, que reúne nove ensaios sobre a construção das formas narrativas no jornalismo cultural em João Pessoa, será lançado nesta quarta-feira, às 19h30, no Parahyba Café, na capital. A coletânea preenche uma lacuna sobre a análise da produção jornalística do Estado, especificamente na área de cultura.

Fruto dos estudos do Grupo de Pesquisa sobre o Cotidiano e o Jornalismo (Grupecj), Epistemologias do Caderno B traz análises das relações entre os gêneros jornalísticos e a produção cultural difundida nos cadernos de cutura de três jornais impressos da capital paraibana. Para isso os pesquisadores estudaram reportagens e artigos publicados em maio do ano passado.

O Grupecj, coordenado por Wellington Pereira, professor do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), com esse livro, mostra a tradição da pesquisa em jornalismo no Brasil e presta uma homenagem a Luiz Beltrão e José Marques de Melo. Este é o terceiro livro do grupo, que já havia publicado Leituras do Cotidiano (2002) e O Trabalho de Sísifo (2004). Com a conclusão desta etapa, o grupo deve começar a pesquisar os cadernos de Cidades.

( Jornal da Paraíba, 10/10/2006)

sexta-feira, outubro 13, 2006

Pesquisa do Grupecj em desenvolvimento


Universidade Federal da Paraíba
Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa
Coordenação Geral de Pesquisa, Ciência, Tecnologia e Inovação
Título do Projeto de Pesquisa (Orientador):
A Vitrine de Papel
Título do Plano de Trabalho (Aluno):

Suéllen Rodrigues Ramos da Silva
O cotidiano de João Pessoa no Correio das Artes
(Edições do primeiro semestre de 1980)

Daniel Neves Abath Luna
O cotidiano de João Pessoa no Correio das Artes
(Edições do segundo semestre de 1980)

Número de Ordem do Conjunto Projeto/Plano de Trabalho (de 1 a 5):
1. Suéllen Rodrigues Ramos da Silva

2. Daniel Neves Abath Luna

Grupo de Pesquisa Cadastrado no CNPq:
GRUPECJ – Grupo de Pesquisa sobre o Cotidiano e o Jornalismo

Orientador:
Prof. Dr. Wellington José de Oliveira Pereira

Departamento/Centro:
Decom – Departamento de Comunicação e Turismo/ CCHLA

Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu Credenciado pela CAPES:
Programa de Pós-Graduação em Sociologia PPGS / João Pessoa – Campus I

Área de Concentração do Programa de Pós-Graduação:
Sociologia da Cultura

Linha de Pesquisa do Programa de Pós-Graduação:
Sociologia do Cotidiano


João Pessoa/2006

1 Introdução e Fundamentação Teórica: F1-Ajuda


A pesquisa sobre o Cotidiano e o Jornalismo, desenvolvida pelo GRUPECJ - Grupo de estudos sobre o Cotidiano e o Jornalismo, no Departamento de Comunicação Social da UFPB, Campus I, prossegue buscando neste novo projeto estudar a representação da cidade de João Pessoa nos textos literários e ensaísticos publicados no suplemento cultural Correio das Artes, do jornal A União, durante os anos 80.
No plano teórico, vamos verificar como os poetas, contistas e ensaístas contribuem para a formação de conceitos estéticos e filosóficos sobre a cidade de João Pessoa.
Ao contrário da linguagem referencial do jornalismo informativo, as linguagens estéticas – literárias - podem estabelecer modelos, não um “modus” analítico para compreensão do cotidiano pessoense através da utilização das linguagens para legitimar o significante ‘cidade’ através do nome João Pessoa.
O conceito da cidade de João Pessoa, produzido a partir de vários gêneros literários (poemas, crônicas, contos, etc.), nos ajudará a perceber a construção de “formas sociais” que demonstram como os escritores nomeiam os espaços urbanos da capital paraibana.
A polissemia da linguagem dos diversos gêneros narrativos difusos no suplemento literário nos dá a possibilidade de verificar que o nível referencial do discurso “midiático” se esgota, enquanto proposição jornalística, nas técnicas utilizadas para a construção de “eventos informativos”. Por isso, se faz premente, estudar como a produção artística no suplemento Correio das Artes recria o significado da cidade de João Pessoa.
No tocante aos estudos sobre as relações entre Jornalismo e Cotidiano, nossa base epistemológica será a Sociologia da Vida Cotidiana, como Maffesoli, dialogando, sobretudo, com autores da Sociologia do Jornalismo, como Gabriel Cohn, e os clássicos da sociologia:
Simmel e Schütz. Evidentemente, trabalharemos com a demonstração de como o discurso cria uma forma cotidiana e como o jornal impresso apresenta esta forma do ponto de vista da linguagem. Para tanto se faz necessário analisar, em primeiro momento, as características das linguagens no jornalismo (vide bibliografia).





2 Justificativa ( X ) Novo Projeto F1-Ajuda


A importância deste projeto de pesquisa se dá na configuração de um campo de estudos sobre o cotidiano e o jornalismo.
O estudo e análise dos processos de Comunicação Social na sociedade contemporânea têm concentrado esforços na tentativa de compreensão de fenômenos sociais que ultrapassam perspectivas meramente ideológicas.
Nesse sentido, a interpretação dos fatos deve contemplar um conjunto de teorias que possam ultrapassar os princípios de carência, de definição dos papéis sociais e da produção estética.
A análise do cotidiano é um dos exercícios de compreensão que exige uma das ferramentas “caras” ao pesquisador em ciências sociais: a sensibilidade. Portanto, se faz necessário o estudo das práticas cotidianas com uma preocupação interdisciplinar, na qual figuras de linguagem e conceitos sociológicos não estejam em campos semânticos opostos impedindo o entendimento da complexidade dos fatos sociais.
Uma das formas de construção e representação do discurso criado pelos atores sociais no cotidiano é a produção de informação estética, bem identificada no campo artístico-cultural. Por isso, o nosso projeto ratifica a importância nos Cursos de Comunicação para a compreensão de uma “estética do cotidiano” disseminada na produção literária.
O estudo do cotidiano através da prosa e da poesia dos atores sociais, pertencentes a uma determinada comunidade, é de suma importância para verificar como o significado dos gêneros narrativos supera e reafirma a manutenção de arquétipos sobre os espaços sociais.
Um dos fatores de suma importância neste projeto de pesquisa é a revigoração do ensino de jornalismo, no que diz respeito à pesquisa de sua linguagem e no tocante à análise de imaginários estético-sociais produzidos pelos jornais que influenciam na mobilização dos cidadãos.
O nosso projeto de pesquisa se faz importante à medida que buscamos aproximar, pedagogicamente, campos semânticos complexos como: o jornalismo cultural, a literatura e o cotidiano, diminuindo as distâncias entre as narrativas literárias e as formas sociais.
Nesse sentido se faz premente a renovação das bolsas dos pesquisadores Suéllen Rodrigues Ramos da Silva e Daniel Neves Abath Luna.




3 Objetivos (1 página) F1-Ajuda

Objetivo Geral


Estudar a construção da imagem da cidade de João Pessoa, através dos textos literários (contos, poemas, crônicas), veiculados no suplemento cultural Correio das Artes.




Objetivos Específicos



1- Estudar como, através da produção cultural, se constrói uma representação do cotidiano da cidade de João Pessoa;


2- Analisar, nos gêneros literários, a personificação da cidade de João Pessoa como um personagem corrente em narrativas do jornalismo cultural, através do suplemento literário Correio das Artes.

4 Metodologia F1-Ajuda

Para a realização desta pesquisa, propomos uma análise crítica a partir dos princípios metodológicos da Sociologia da Vida Cotidiana.
Como base teórica, adotaremos os textos de Simmel, Michel Maffesoli, Bourdieu, no campo sociológico, assim como no campo da análise do discurso, Pêcheux, Eni Orlandi, Maigneau e Michel Foucault.
As análises devem seguir os princípios de uma Sociologia Compreensiva, da Teoria do Jornalismo, e dos estudos inerentes ao discurso do jornal.
Os métodos devem ser organizados, se considerado as características de abordagem e apresentação da cultura no que trata de temas ligados à vida cotidiana da cidade de João Pessoa.
As ferramentas metodológicas terão como base as formações discursivas que representam a cidade de João Pessoa através dos gêneros literários publicados no suplemento Correio das Artes na década de 80.
Nesse sentido, utilizaremos como metodologia a análise do discurso, verificando, num primeiro momento, como aparecem nomes, conceitos ou idéias que perfazem o significado da cidade de João Pessoa.
Devemos considerar as etapas estabelecidas para análise do discurso: escolha e formulação das categorias narrativas, como as rubricas temáticas; sistematização destas categorias (poemas, contos, ensaios) em grupos por edição, verificando como estas categorias se relacionam do ponto de vista estético e como se diferem através da forma; demonstrar como o conjunto destas categorias cria um campo semântico (formas e conceitos) responsável pela identificação da cidade de João Pessoa através do jornalismo cultural.
Esses procedimentos de análise do discurso do suplemento literário Correio das Artes são importantes à medida que passamos a considerar o jornal como um sujeito semiótico, reforçando o nosso objetivo em analisar a produção literária que procura, em sentido estético, o significado de cidade, a partir do nome da capital paraibana, sem fazer um juízo de valor da produção dos escritores paraibanos.



Etapas metodológicas:

a) leitura dos suplementos da década de 80, procurando verificar a relação entre os textos de natureza estética e o conceito que se estabelece para definir a cidade de João Pessoa;

b) a verificação do nosso objeto de pesquisa tem como método a análise de conteúdo, procurando entender a sistematização de conceitos, através da descrição objetiva do conteúdo manifesto do texto jornalístico;

c) no caso especifico do suplemento Correio das Artes, procuraremos estabelecer uma diferença entre os gêneros : resenha, artigos, ensaios, crônicas, poemas, contos (através da classificação e comparação entre os gêneros jornalísticos e literários), para demonstrar como estas formas narrativas produzem conceitos.















5 Resultados Esperados e Metas do Projeto (1 página) F1-Ajuda

Os resultados e metas a serem alcançados com a conclusão deste projeto podem ser divididos em quatro etapas:

1. Formação de novos pesquisadores na graduação em Jornalismo da UFPB;
2. Relação entre metodologias e procedimentos metodológicos que legitimem a área de pesquisa na graduação e pós-graduação a ser implantada no Departamento de Comunicação e Turismo da UFPB;

3. Verificação das seguintes hipóteses:

a) A produção cultural difundida no suplemento cultural Correio das Artes está dissociada do cotidiano da cidade de João Pessoa;

b) A produção literária – cultural - cuja difusão se verifica nas páginas do suplemento Correio das Artes, é capaz de produzir um conceito sociocultural da cidade de João Pessoa.

4. Publicação de um livro com a análise do material pesquisado.

6 Referências Bibliográficas (1 página) F1-Ajuda

BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo. Paris: PUF, 1977.
BELTRÃO, Luiz. Iniciação à Filosofia do Jornalismo. São Paulo: Edusp, 1992.
BRANDÃO, Helena H. Nagamine - Introdução à análise do discurso.- Campinas, SP, Editora da Unicamp, 2002.
CONH, Gabriel. Sociologia da Comunicação – teoria e ideologia. São Paulo: Livraria Pioneira, 1973.
CONNOR, Steven - Cultura pós-moderna- introdução às teorias do contemporâneo. São Paulo, Loyola, 1992.
FAIRCLOOUGH, Norman - Discurso e mudança social. Brasília: UNB, 2001.
FEATHERSTONE, Mike. O desmanche da cultura – globalização, pós-modernismo e identidade. São Paulo: Sesc/Studio Nobel, 1997.
HELLER, Agnes. O cotidiano e a História. São Paulo: Paz e Terra, 1977.
KOCH, Ingedore Villaça - O texto e a construção do sentido. São Paulo: Contexto, 2001.
KUNCZIK, Michael. Conceitos de jornalismo – norte e sul. São Paulo: Edusp, 1997.
LAGE, Nilson - Teoria e técnica do texto jornalístico. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005.
LANDOWISKI, Eric - A sociedade refletida - São Paulo; Educ./Pontes, 1992.
LEFEBVRE, Henri. A vida cotidiana no mundo moderno. São Paulo: Ática, 1991.
LEITE, Lígia Chiappini Moraes - O foco narrativo. São Paulo: Ática, 1985.
MAFFESOLI, Michel. A contemplação do mundo. Porto Alegre: Sulina, 1995.
MAFFESOLI, Michel. Elogio da razão sensível. Petrópolis, RJ: Vozes, 1998.
MAFFESOLI, Michel. No fundo das aparências. Petrópolis, RJ: Vozes, 1996.
MAFFESOLI, Michel. O conhecimento comum. São Paulo: Brasiliense, 1985.
MARQUES DE MELLO, José. A opinião no jornalismo brasileiro. Petrópolis, RJ: Vozes, 1985.
O´SULLIVAN, TIM- Conceitos-chave em estudos de comunicação e cultura, Piracicaba, SP, Unimep, 2001.
ORLANDI, Eni Pucccinelli- A linguagem e o seu funcionamento- as formas do discurso, Campinas, SP, Pontes, 2001.
PINTO, Milton José - Comunicação e discurso- São Paulo; Hacker, 2002.
PIZA, Daniel - Jornalismo cultural, São Paulo, Contexto, 2003.
PORTO, Sérgio Dayrell (org.) - O jornal- da forma ao sentido - Brasília: Paralelo 15, 1997.
POSSENTI, Sírio – Os limites do discurso- ensaios sobre discurso e sujeito - Curitiba, PR, Criar, 2002.
REBELO, José - O discurso do jornal - o como e o porquê - Lisboa, Editorial,2000.
RODRIGUES, Adriano Duarte. Comunicação e cultura – a experiência cultural na era da informação. Lisboa: Presença Editorial, 1993.
SANTAELLA, Lucia. Comunicação e pesquisa - São Paulo: Hacker Editores, 2001.
SCHOLLHAMMER, Karl Erik et alii - Literatura e mídia, Rio de janeiro, Edições PUC/ Loyola, 2002.
TRAVANCAS, Isabel Siqueira - O livro no jornal - os suplementos literários franceses brasileiros nos anos 90, São Paulo, Ateliê Editorial, 2001.
TRAVANCAS, Isabel Siqueira. O mundo dos jornalistas. São Paulo: Summus Editorial, 1993.























PLANO DE TRABALHO






























1 Inserção do Plano de Trabalho no Projeto Principal F1-Ajuda

Plano de Trabalho executado pelo orientador junto aos Bolsistas:

Primeira Etapa:
Realização do levantamento bibliográfico acerca do nosso objeto de estudo, para selecionar as obras que nortearão nosso trabalho.

Segunda Etapa:
Nesta fase, com reuniões de 4h semanais, fomentaremos debates sobre as temáticas através de seminários que possam contribuir para a compreensão do objeto de estudo.

Terceira Etapa:
Este mês será reservado para o aprofundamento dos conceitos trabalhados nos seminários. Em cada sessão, os bolsistas devem expor as dificuldades ou os caminhos metodológicos mais adequados para a compreensão das teorias sobre o objeto da pesquisa.

Quarta Etapa:
Os meses serão reservados para: a) organização do material empírico; b) leitura dos jornais em análise; c) verificação da aplicação das teorias ao material empírico; d) discussão em grupo.

Quinta Etapa:
O mês será reservado para a produção de ensaios preliminares.

Sexta Etapa:
Análise das edições e verificação das hipóteses sobre os enunciados.

Sétima Etapa:
Revisão do material analisado.

Oitava Etapa:
Discussão e organização de ensaios para capítulos do livro a partir dos resultados da pesquisa.









2 Objetivos Específicos do Plano de Trabalho F1-Ajuda


Os objetivos dos planos de trabalho para cada bolsista podem ser divididos em três etapas considerando as especificidades dos períodos:

Suéllen Rodrigues Ramos da Silva:


1. Averiguação das hipóteses sugeridas pela pesquisa a partir dos textos referentes às edições do primeiro semestre de 1980;

2. Demonstração da construção de conceitos através da classificação e comparação entre as formas discursivas literárias e jornalísticas;

3. Verificação das possíveis alterações de percepções relativas à vida cotidiana da sociedade pessoense através da análise do material de pesquisa referente aos primeiros seis meses de 1980.*


Daniel Neves Abath Luna:


1. Verificação nos textos do suplemento referentes ao segundo semestre de 1980 das hipóteses sugeridas pela pesquisa;

2. Investigação, pelos gêneros literários, da personificação da cidade de João Pessoa como um personagem corrente em narrativas do jornalismo cultural, através do suplemento literário Correio das Artes.

3. Exame das possíveis alterações de percepções relativas à vida cotidiana da sociedade pessoense a partir da análise do material de pesquisa referente aos últimos seis meses de 1980.*

*Os Planos de Trabalhos são complementares, pois objetivamos realizar uma análise de todas as edições do ano de 1980, por isso realizamos esta divisão metodológica a fim de desenvolvermos um trabalho mais completo e aprofundado.


3 Plano de Atividades e Cronograma para Trabalho (até 2 páginas) F1-Ajuda

Plano de Trabalho da aluna Suéllen Rodrigues Ramos da Silva:

Setembro de 2006:
Realização do levantamento bibliográfico acerca do nosso objeto de estudo, para selecionar as obras que nortearão nosso trabalho.

Outubro de 2006:
Nesta fase, com reuniões de 4h semanais, fomentaremos debates sobre as temáticas através de seminários que possam contribuir para a compreensão do objeto de estudo.

Novembro de 2006:
Continuação dos seminários temáticos e debates nas reuniões semanais.

Dezembro de 2006:
O aprofundamento dos conceitos trabalhados nos seminários. Em cada sessão, os bolsistas devem expor as dificuldades ou os caminhos metodológicos mais adequados para a compreensão das teorias sobre o objeto da pesquisa.

Janeiro de 2007:
Continuação do trabalho de aprofundamento dos conceitos.

Fevereiro de 2007:
Organização e leitura das edições do suplemento Correio das Artes referentes ao primeiro semestre de 1980.

Março de 2007:
Verificação da aplicação das teorias ao material empírico e discussão em grupo.

Abril de 2007:
O mês será reservado para a produção de ensaios preliminares.

Maio de 2007:
Análise das edições referentes aos primeiros seis meses de 1980 e verificação das hipóteses sobre os enunciados.

Junho de 2007:
Continuação da análise.

Julho de 2007:
Revisão do material analisado.

Agosto de 2007:
Discussão e organização de ensaios para capítulos do livro a partir dos resultados da pesquisa.











3 Plano de Atividades e Cronograma para Trabalho (até 2 páginas) F1-Ajuda

Plano de Trabalho do aluno Daniel Neves Abath Luna:

Setembro de 2006:
Realização do levantamento bibliográfico acerca do nosso objeto de estudo, para selecionar as obras que nortearão nosso trabalho.

Outubro de 2006:
Nesta fase, com reuniões de 4h semanais, fomentaremos debates sobre as temáticas através de seminários que possam contribuir para a compreensão do objeto de estudo.

Novembro de 2006:
Continuação dos seminários temáticos e debates nas reuniões semanais.

Dezembro de 2006:
O aprofundamento dos conceitos trabalhados nos seminários. Em cada sessão, os bolsistas devem expor as dificuldades ou os caminhos metodológicos mais adequados para a compreensão das teorias sobre o objeto da pesquisa.

Janeiro de 2007:
Continuação do trabalho de aprofundamento dos conceitos.

Fevereiro de 2007:
Organização e leitura das edições do suplemento Correio das Artes referentes ao segundo semestre de 1980.

Março de 2007:
Verificação da aplicação das teorias ao material empírico e discussão em grupo.

Abril de 2007:
O mês será reservado para a produção de ensaios preliminares.

Maio de 2007:
Análise das edições referentes aos últimos seis meses de 1980 e verificação das hipóteses sobre os enunciados.

Junho de 2007:
Continuação da análise.

Julho de 2007:
Revisão do material analisado.

Agosto de 2007:
Discussão e organização de ensaios para capítulos do livro a partir dos resultados da pesquisa.




4 Resultados Esperados do Plano de Trabalho F1-Ajuda


O plano de trabalho deve resultar, em primeiro lugar, na solidificação de um projeto de pesquisa que possa unir a graduação e o programa de pós-graduação a ser implantado no Departamento de Comunicação Social e Turismo da UFPB.
Em segundo lugar, o cumprimento do plano de atividade por parte dos bolsistas deve ser efetivado como uma produção acadêmica que demonstre, através de seminários internos e produção de textos, que o discente está apto a construir bases conceituais e epistemológicas para a pesquisa no campo do jornalismo através das formas discursivas presentes nas edições analisadas do suplemento cultural Correio das Artes.

Pesquisas concluidas pelo Grupecj











Grupo de Pesquisa sobre o cotidiano e o Jornalismo.


Pesquisas Concluídas
Grupecj:
O Grupo de pesquisa sobre o Cotidiano e o Jornalismo concluiu a pesquisa:
Jornalismo, cotidiano e poder.
Esta é uma análise das formas de poder que parecem nos cadernos de “cidades” dos jornais de João Pessoa.

Período: agosto de 2005/ agosto de 2006.

Data de entrega do relatório parcial: 24 de fevereiro de 2006.

Financiamento: PIBIC/CNPq.

Bolsistas: Daniel Neves Abath Luna/ Suéllen Rodrigues Ramos da Silva.
Professor Orientador: Prof. Dr. Welliington José de Oliveira Pereira.


Pesquisas concluídas:

Título:
Jornalismo Cultural: gêneros e cotidiano nos cadernos culturais dos jornais de João Pessoa.

Período: agosto 2004/ julho 2005.

Financiamento: PIBIC /CNPq.

Bolsistas: Ana Carolina Porto/ Suéllen Rodrigues Ramos da Silva.

Professor Orientador: Prof. Dr. Wellington José de Oliveira Pereira.

Título: O cotidiano dos jornalistas profissionais de João Pessoa.

Período: Agosto de 2003/ Fevereiro 2004.

Financiamento: PIBIC/CNPq

Bolsistas: Siomara Regina Cavalcanti de Lucena/ Ana Carolina Porto.
Professor Orientador: Prof. Dr. Wellington José de Oliveira Pereira.
Obs. O resultado desta pesquisa foi a publicação do livro O trabalho de Sísifo - jornalismo e vida cotidiana. João Pessoa: Manufatura, 2004. ISBN 85-87939-54-8.

hildebetobarbosa



O professor doutor Hildeberto Barbosa filho, autor de vários livros, poeta e crítico literário, falou sore a importãncia dapesquisa no campo do jornalismo.

rodrigomartins



Rodrigo Martins, desde o início do Grupecj, prestigia o lançamento do grupo.

sandramoura




A professora doutora Sandra Moura, Vice- Diretora do Centro de Ciências Humanas Letras e Artes -CCHLA-UFPB, fez uma leitura crítica do novo livro do Grupecj: Epistemologias do Caderno B.

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A professora doutora Olga Tavares, do Decom-tur, foi uma das apresentadoras do livro do Grupecj: Epistemologias do Caderno B

fotos do lançamento do livro 11/10/2006


Pesquisadores do Grupecj

Ana Carolina Madeira, Viviane Marques Guedes(sentadas) Laena Antunes(usando colar de seu Belém do Pará) e Adriana Crisanto.

quinta-feira, outubro 12, 2006

Pesquisadores do Grupecj autografam livro



Pesquisadores do Grupecj autogranfando o livro Epistemologias do Caderno B: Isabella Araújo, Suéllen, Norma Meireles.

Livros do Grupecj



O Grupecj - Grupo de Pesquisa sobre o cotidiano e o Jornalismo, do Departamento de Comunicação e Turismo da UFPB, lançou no dia 11 de outubro seu mais recente livro: Epistemologias do Caderno B.

Este livro é o resultado de uma pesquisa sobre os cadernos culturais dos jornais de João Pessoa, com apoio PIBIC/CNPq, CCHLA - Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes da Universidade Federa da Paraíba.

Além dos dois bolsistas PIBIC/CNPq, participam dos livros jornalistas profissionais e professores universitários, autores dos doze ensaios sobre os Cadernos B da Imprensa paraibana.

As pesquisas do Grupecj são coordenadas pelo Prof. Dr. Wellington Pereira, responsável pela direção do grupo desde 2002.

Atualmente, o Grupecj realiza pesquisa sobre a construção dos poderes nos Cadernos de Cidade dos jornais impressos da Capital paraibana.

Os livros do Grupecj podem ser adquiridos na Livraria da Editora da UFPB, Sebo Universitário, Campus I ou pelos endereços:

wpereira@hs24.com.br

wellingtonpereyra@hotmail.com

segunda-feira, outubro 09, 2006

Epistemologias do Caderno B

Wellington Pereira*

A cultura é uma das formas de codificação da vida cotidiana.

Um dos instrumentos de verificação das culturas são os discursos escritos nas suas diversas formas. Portanto, escrever sobre culturas é interpretar as linguagens construídas nos intercâmbios culturais de imagens, sons, palavras e gestos.

À soma das manifestações são acrescentados métodos e técnicas de apreensão dos significados do imaginário de cada povo.

O emprego da técnica nos processos culturais pode significar: 1) fazer cultura; 2)explicar os modos de construção das culturas; 3) explicar as acepções da palavra cultura; 4) pensar a forma como são veiculadas as culturas pela mídia.

Neste livro, o escopo é investigar as epistemologias do Caderno B em uma das especificidades do campo jornalístico: o jornalismo cultural.

As relações entre jornalismo e cultura demarcam conflitos metodológicos e conceituais. Aqueles apresentam problemas no nível da pragmática; estes evidenciam a dificuldade em conceituar gêneros e categorias jornalísticos no processo de edição da informação.

No sentido de uma pragmática do jornalismo, procura entender a correspondência do texto jornalístico com as atitudes estéticas produzidos no campo das artes. Esta é a nossa primeira via metodológica neste livro.

A segundo via metodológica se constrói na relação entre os gêneros jornalísticos dos Cadernos B e a difusão das culturas no cotidiano.

O cotidiano, aqui, estudado a partir da perspectiva da Sociologia Compreensiva e da Fenomenologia aplicadas ao jornalismo. Estas foram as nossas bases metodológicas para verificar a nossa hipótese: quais os gêneros narrativos que predominam, cotidianamente, nos Cadernos B dos jornais de João Pessoa.

Este livro é fruto da dedicação de professores, alunos de iniciação científica(PIBIC/CNPq), que desde 2002 formam o Grupecj - Grupo de Pesquisa sobre o Cotidiano e o Jornalismo.

Este é o terceiro, um marco na luta pela consolidação da pesquisa em nível de graduação.

O Grupecj, com esta publicação, se expande institucionalmente, ao contar com a colaboração efetiva da professora doutora Rossana Gaia, que traduz em seu ensaio a homenagem prestada pelo grupo aos pioneiros da pesquisa sobre gêneros narrativos no Jornalismo brasileiro: Luiz Beltrão e José Marques de Melo.


Equipe Grupecj

Prof. Dr. Welligton Pereira é graduado em Comunicação Social e Mestre em Literatura Brasileira pela Universidade Federal da Paraíba. Doutorou-se em Sociologia pela Université Paris V, Sorbonne. Como professor do Curso de Jornalismo da UFPB, desenvolve pesquisas sobre o cotidiano e a produção jornalística. Fundou o GRUPECJ em março de 2002.

Adriana Crisanto é graduada em Jornalismo pela UFPB e especialista em Jornalismo Cultural pelas Faculdades Integradas de Patos (FIP). Participa do Grupecj desde o início de 2005.



Ana Carolina Silva de Queiroz nasceu em João Pessoa no dia 26 de março de 1980. Graduada em Jornalismo pela UFPB, ingressou no Grupecj em março de 2002 e participou da elaboração do primeiro livro do grupo.

Carol Madeira é natural de Teresina (PI). Em 2001, começou a cursar Jornalismo pela UFPB. Ingressou no Grupecj em 2005, no qual realiza pesquisas sobre jornalismo e cotidiano.



Carol Porto nasceu em Recife (PE). Ingressou na faculdade de Jornalismo em 2001 e participa do Grupecj desde 2002, realizando pesquisas sobre as Teorias do Jornalismo e o Cotidiano.





Laena Antunes nasceu em Marabá (PA) e ingressou na faculdade de Jornalismo em 2001. Ingressou no Grupecj em 2002 e participou da elaboração do segundo livro do grupo.






Norma Maria Meireles é graduada em Jornalismo pela UFPB e jornalista profissional da Cabo Branco FM. Elabora pesquisas sobre o cotidiano desde que ingressou no Grupecj em 2002.






Suéllen Rodrigues nasceu em São Paulo (SP). Ingressou no Curso de Jornalismo da UFPB em 2003 e, desde 2004, executa pesquisas no campo do Jornalismo. Está trabalhando na nova pesquisa do grupo.



Thais Cirino é natural de João Pessoa (PB). Ao ingressar no Curso de Jornalismo se interessou em realizar pesquisas no campo jornalístico. Ingressou no Grupecj em 2002 e participou da segunda publicação do grupo.



Viviane Marques Guedes nasceu no Rio de Janeiro. Em 2001, ingressou no Curso de Comunicação Social da UFPB, dedicando-se, desde então, aos estudos sobre a Teoria do Jornalismo.



Daniel Abath graduando em Comunicação Social da UFPB. Bolsista do PIBIC.


Rossana Gaia Doutora em Linguística pela Universidade Federal de Alagoas, professora do Cefet Alagoas, Jornalista profissional.


Angelus Novus: cotidiano e jornalismo

"Angelus Novus" de Paul Klee, em exposição no Museu de Israel em Jerusalem

Wellington Pereira

O Angelus Novus, de Paul Klee, foi escolhido como símbolo do Grupo de Pesquisa sobre o Cotidiano e o Jornalismo.

Para Walter Benjamin* , o quadro de Klee representa o anjo da história, com ares de quem se assusta com o presente, procura voltar para o passado, mas é empurrado para frente pelo sopro do futuro.

De asas dilatadas e boca aberta, o Angelus Novus enxerga na cadeia de acontecimentos as catástrofes que se acumulam, mas não pode se deter para reconstruir o tempo, porque não pode fechar suas asas estão presas às novas tragédias, às Injunções do cotidiano.

O Angelus Novus se constitui na construção de uma epistemologia entre o Cotidiano e o Jornalismo.

Aos pesquisadores do Grupecj cabe a tarefa de destravar as asas do Angelus Novus e verificar as hipóteses que nos remetem aos significantes das realidades nomeadas, socialmente, reais.

* BENJAMIN, Walter - Sobre o conceito de História in: _____ Magia e Técnica, Arte e Política, São Paulo: Brasiliense, 1985, p.226.

O trabalho de Sísifo - Jornalismo e vida cotidiano

Neste livro, os pesquisadores do Grupecj promovem reflexões acerca das relações entre a vida cotidiana e a vida profissional dos jornalistas sindicalizados da cidade de João Pessoa-PB.

O estudo reúne nove ensaios que comprovam, através de uma metódica investigação, como os profissionais de jornalismo estão alienados na sua atividade profissional.

Para chegar a resultados concretos, o grupo distribuiu 100 questionários nas assessorias de comunicação, redações dos jornais impressos, emissoras de rádio e televisão da cidade, dos quais apenas 77 foram respondidos corretamente. Destes, 18 foram selecionados para a realização de entrevistas por serem considerados compatíveis com os critérios metodológicos adotados pelo Grupecj. A partir daí, os pesquisadores começaram a produção de seus ensaios para o Trabalho de Sísifo.

O título do livro faz uma referência ao mito de Sísifo, personagem da mitologia grega condenado pelos deuses do Olimpo, por ter espalhado levianamente os seus segredos, a rolar um enorme rochedo, incessantemente, até o alto de uma montanha. Quando, finalmente, conseguia empurrá-la até o cimo, a pedra caía novamente em virtude de seu próprio peso. Os deuses foram sábios ao impôr este castigo a Sísifo por considerarem não existir punição mais terrível do que o trabalho inútil e sem esperança. Para Homero, pelo contrário, o conformismo de Sísifo perante tal medíocre tarefa faria dele o mais prudente, e o mais sábio, dos mortais que vagueavam pela Terra e, para outros, seria mesmo muito arguto.

O projeto de pesquisa


O projeto de pesquisa sobre o cotidiano dos jornalistas em João Pessoa, capital do Estado da Paraíba, se inscreve em uma das linhas da Sociologia Compreensiva, a partir dos estudos de M. Weber e E. Durkheim, Simmel, Schütz e Michel Maffesoli sobre as influências dos fenômenos na construção das formas concebidas pelos cidadãos em sociedade.

Com base nos pressupostos estabelecidos pela Sociologia Compreensiva, se faz premente, no mundo contemporâneo, investigarmos como a vida profissional interfere na vida privada dos indivíduos, ou como a vida privada interfere na vida profissional.

Neste sentido, a troca simbólica entre a vida cotidiana e a vida profissional gera uma série de conceitos sobre o exercício das profissões que cada indivíduo absorve de forma muito particular. No geral, o único consenso se dá através da derrisão do processo de “precariedade” profissional que empurra os cidadãos para a alienação e a incapacidade em dominar as exigências do mercado de trabalho.

No tocante à vida cotidiana, ela sofre interferências diretas do processo da alienação profissional, haja vista que o profissional não consegue se livrar da pressão exercida pela “temporalidade” do campo de trabalho, e a angústia do “fazer” grassa todos os momentos de lazer, convívio familiar, realizações afetivas, ou melhor, perpassa o imaginário da “vida privada”. Por conseqüência, esta vida cotidiana sofre influências da “mecanização” das práticas profissionais.

O nosso projeto de pesquisa é uma tentativa de compreender como, através do discurso dos jornalistas que atuam nas redações dos jornais, rádios e emissoras de TVs em João Pessoa, se estabelecem relações de distensão entre o exercício profissional e a vida cotidiana dos profissionais.